Todos possuem uma incessante busca pelo amor. Amor não é um termo intocável, ou um mistério indescritível. Muito pelo contrário, amor é cotidiano. Amor é prático. É a prática que te desafia sem “práticos” e tecnológicos botões, sem “truques” de mágica, sem controle e sem manual de instruções. Clamamos por amor. Amar é acordar, é viver, também é desfalecer, é sorrir, é chorar. Amar é costurar. É unir tecidos mortos e inteiramente desintegrais, de estampas antigas, coloridas ou cinzas. Costurá-los a mão, dando seu próprio toque de afeição e vida, com a linha dourada mais rígida que encontrar. É fazer em cada casa de botão, ínfimos pontos vermelhos de sangue no dedo, ainda assim continuar. É laçar delicadamente as mais finas sedas representando todo carinho preciso e ao mesmo tempo unir com ardor os nós de fidelidade. Aquela roupa vai ganhando formas separadas, mas, ás vezes, é preciso trocá-las, recolorir ou retocar cada uma e assim o resultado nunca é alcançado. E usa-se um manequim que vive, mesmo com pedaços despidos, linhas soltas, acabamentos ainda não terminados. Ainda que com alfinetes esquecidos e retalhos escondidos. Manequins vivos, presos em vitrines transparentes que denunciam suas feridas. Cuida você mesmo dos seus rasgões. Escolha a sua inspiração, rabisca teus desejos numa folha e trata de, com suas próprias mãos e esforço, torná-los reais. Misturou-se o fio a outras fibras até se conseguirem novos tecidos, contudo muitos nascem com defeitos, até reparáveis, só que faltaram forças nos nós. Olha-se no espelho enorme, se vê dos pés á cabeça, Vê, mas não repara. Não se toca que o que precisa de glitter são os seus olhos. Para com essas anáguas, tecidos adamascados, seda ou neon, Você nunca estará completamente pronta para festejar a vida. E não queira estar pronta, pois depois não há mais o que fazer. Pronta. Olha que termo concluído, terminado, desimpedido. Não, melhor me deixar assim. Por isso serei uma eterna estilista. Assimétrica, que seja. Nunca desfilarei minhas dores. Não irei aceitar calada e magra, a moda desses homens sem humanidade que desfilam pálidos e sem cor. Serei julgada por momentos em que irei ignorar toda vaidade, todos os espelhos, momentos que não vou caber nestes espartilhos de ideais. Enfrentarei as curvas, de outras cinturas, vestida de pijama, para quando precisar fugir, onde estiver, estarei pronta para deitar e dormir. E sonhar! Protege-se ou se ilude com um casaco preto. Revive a infância em todos os tons de rosa. Faz a tua marca, a tua farda que caiba no teu estilo. Abre uma fenda, se isso te dá prazer. Põe um vermelho na boca, apesar de toda estampa colorida, se isso te faz sorrir. Sabe aquele vermelho que te exalta e te deixa poderosa? Arranca ele do armário e usa, não só usa, ousa! Veste a alma de poder e sedução (Amar não é só costurar, é ousar). Serei uma eterna estilista, com mente aberta, sem aviamentos, leve, livre de qualquer opressão do novo jeito de amar e viver. Meu foco será o keviar.Quero me despir da malha que demarca e me vestir do sintético dos astronautas. Eu quero extrapolar a moda de amar. Amor se descobre na prática, Amar é viver, viver é amar. Despi minha’lma sem medo e de tão leve, estou a flutuar. Acompanha-me nessa nudez?
Thaís Bitencourt, eterna estilista despida.
Nenhum comentário:
Postar um comentário