quinta-feira, 20 de março de 2014

quinta-feira, 13 de março de 2014

Desabotoando


Eu não tenho muito, talvez um parágrafo único, o escuro deste quarto e um verso desbotado. Antes fosse um desabotoado, mas um desbotado? que valor tem?
o primeiro diz livremente o que pensa, desabafa, traz o mesmo prazer de liberdade, sem ofensa, que o botão na camisa dela.
o segundo, coitado, fala do amor que perdeu o brilho, botado fora dos trilhos, a pouco tempo desbotado pelo destino.
Felizmente, o interior esmaecido o sol tem corado, e até que seja um dia completamente apagado terá muito desabotoado.

Thaís Bitencourt

quarta-feira, 12 de março de 2014


O mundo real, tão surreal sem nós dois. E o mundo virtual tão sem graça quanto o real, assim, sem nós dois.
— Trechos,Thaís Bitencourt

terça-feira, 11 de março de 2014

que esse mofo se alastra e quanto mais o tempo passa tudo passa por nós dois. O sol pede aquelas bexigas d’agua, o gramado quer nosso corpo  suado, a lua se enche pra chamar nossa atenção novamente, só na minha cabeça, os pássaros estão descompassados sem o ritmo da nossa risada prolongada. Não há cor nesta casa, nem som neste quarto. Esse é o mundo real, surreal sem nós dois. Os arquivos estão trancados e ocultos, as senhas não são tão melodramáticas, teias nos bate-papos, fotos gastas de amores ainda mais gastos na linha do tempo, só na minha cabeça, D., mas a informática é um fiasco. E a TV, e o rádio. Esse é o mundo virtual tão sem graça quanto o real, assim, sem nós dois. Cama arrumada, chão frio, café frio, isso não tem lógica, D, assim como a minha cabeça.

Você não percebe? que esse mofo se alastra e quanto mais o tempo passa tudo passa por nós dois…

Thaís Bitencourt