Surgimos da queda, quando machucada pela faca afiada da realidade você foi fundo e me salvou do poço de mágoas, seu sorriso me fez tão feliz, nossa felicidade me trouxe tantos suspiros que até flutuei.
Você me chegou faceiro, se fingiu primeiro de durão, com esses seus óculos escuros, um convite pra dias quentes de verão, e uma essência que me deixava com gosto de “quero mais” a cada despedida. Todo dia era verão, todo jardim primaveril, toda música, CDs de poetas exagerados… Todas as noites teu calor me aquecia, longe ou perto não havia agonia, só a vontade de cantar como a nossa vida fugia da realidade árdua.
Mas também morremos da queda. Caí, morri, não quiseste mais ter a chave da minha vida, Como chegamos a este ponto? Vivemos intensamente o pouco tempo que tivemos, mas o que nos tornamos? Quem te teve nos braços, se entregou a ti, quem cantou poesias de amor e apostou sem pensar, não tem mais sequer o direito de contemplar o teu olhar que hoje brilha por um efêmero amor. Porque me trouxe uma felicidade passageira, se o amor que te dei era pra vida inteira?
Lenços ao vento lembram a despedida, dolorosa e sofrida, quando você ainda me dizia que tudo ia ficar bem, será que não compreende, o que eu vou fazer com tanto amor, se não tenho a quem dar, meu coração logo logo explodirá, ele já não suporta mais resistir. Coraçãozinho pede sempre um amorzinho carinhoso onde ele possa apenas sossegar.
O que no tornamos? Passado, palavras ao vento, pétalas caídas daquele nosso jardim que era primaveril. Acabadas as noites quentes do nosso verão, meu coração agora vive no inverno onde nem fósforos e velas podem amenizar o frio, o frio da solidão.
Thaís Bitencourt