sexta-feira, 27 de abril de 2012

O que nos tornamos?



Surgimos da queda, quando machucada pela faca afiada da realidade você foi fundo e me salvou do poço de mágoas,  seu sorriso me fez tão feliz, nossa felicidade me trouxe tantos suspiros que até flutuei.
Você me chegou faceiro, se fingiu primeiro de durão,  com esses seus óculos escuros, um convite pra dias quentes de verão, e uma essência que me deixava com gosto de “quero mais” a cada despedida. Todo dia era verão, todo jardim primaveril, toda música, CDs de poetas exagerados…  Todas as noites teu calor me aquecia,  longe ou perto não havia agonia, só a vontade de cantar como a nossa vida fugia da realidade árdua. 
Mas também morremos da queda. Caí, morri, não quiseste mais ter a chave da minha vida, Como chegamos a este ponto? Vivemos intensamente o pouco tempo que tivemos, mas o que nos tornamos? Quem te teve nos braços, se entregou a ti, quem cantou poesias de amor e  apostou sem pensar, não tem mais sequer o direito de contemplar o teu olhar que  hoje brilha por um efêmero amor. Porque me trouxe uma felicidade passageira, se o amor que te dei era pra vida inteira?
Lenços ao vento lembram a despedida, dolorosa e sofrida, quando você ainda me dizia que tudo ia ficar bem, será que não compreende, o que eu vou fazer com tanto amor, se não tenho a quem dar, meu coração logo logo explodirá, ele já não suporta  mais resistir. Coraçãozinho pede sempre um amorzinho carinhoso onde ele possa apenas sossegar.
O que no tornamos? Passado, palavras ao vento, pétalas caídas daquele nosso jardim que era primaveril. Acabadas as noites quentes do nosso verão, meu coração agora vive no inverno onde nem fósforos e velas podem amenizar o frio, o frio da solidão.
                                                                    
   Thaís Bitencourt

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Desbaratar


Há um mistério incompreensível
Ele vive atrás desses óculos escuro
Que esconde teu olhar indefinível,
É a tal barreira para nosso futuro.

A essência da paixão
Que exalava do seu toque
Após um banho de emoção
Deixava-me em choque.

Quando o falso fogo tomar o peito
Que começará a arder
Não me venha com nada estreito
Eu vou fervorosamente querer.

Como lágrimas no inferno
Será essa tempestade
Em meu amor de fósforo
Apesar da temeridade.

Caminhei como vento
Leve, fui ao teu encontro
Não sacudi sequer seu lenço
Então cheguei a um desesperado ponto.

 O caminho da minha vida
De acordo com o teu, ganhava rumo
Já em sua corrida,
Não existia laço de certo aprumo.

Só um lado clamava por companhia
O outro vivia do perecível
Só alguém temia a solidão e a nostalgia
O outro não conhecia o imprescindível

Vidas não mais cantadas pelo CD do Barão,
Vontades incomuns
“Amiga do peito, Solidão”
 Já dizia a letra do Barão sobre desilusões comuns.

Confiei-te a chave do meu sorriso,
Você o abriu e lhe deu sentido,
Depois deu a ela um fim impreciso,
Porque você tornou meu semblante perdido?

Teu sentimento, instrumento cortante
Você deixou escorregar
E ele me afetou. Eu, o lado de amor possante
Falha que veio pra  desembocar, Desbaratar, sacrificar.
                                                
                                    Thaís Bitencourt



quarta-feira, 25 de abril de 2012

Poetas exagerados


A vida é linda, uma linda poesia. Os amores e as tristezas são as bases para os poetas exagerados. Respire, meu bem, que a felicidade logo vem. E se tratando de poesias, só existe o belo, nem sempre eterno, as vezes cego, mas tão singelo. Gritando, largue as infelicidades e cantando torne as belezas, que lhe tiram o ar, palavras rimadas. E se tratando de vida, haverá queda, mas se tratando de amor, a saudade um dia será menos azeda. Viver é ser poeta, é escrever o caminho com palavras belas, é chamar a solidão de amiga do peito, é ser quente no mundo frio, é acreditar no eterno em meio a tanta barbaridade, é sonhar com o complemento da alma em meio a cegueira destes solitários. E o que ainda permite a existência da humanidade são as metáforas e devaneios dessas lindas poesias ora cantando agonias do inferno, ora louvando, através da fé, as recompensas de Deus no paraíso.
                                                                                  
 Thaís Bitencourt

terça-feira, 10 de abril de 2012

A minha felicidade se encontra nas tolices mais singelas, mas essas simplicidades estão tão escassas… E ainda mais raro é encontrar pessoas que querem me ajudar a vivenciá-las, porque de uma coisa eu tenho a certeza, sozinha eu não consigo. Por mais simples que sejam.

Thaís Bitencourt

sábado, 7 de abril de 2012

Pronto, ponto

E porque só agora? E quem disse que o porque importa? Só quando aqueles sonhos errantes me largaram, eu desembacei a vista, Deus levantou minha cabeça, e você fez a sua parte, apareceu. Pronto, ponto. Foi o necessário para ser lembrado em cada fechar dos meus olhos, e no meio dos apelidos, carinhos e borbulhar de emoções a vida nos trouxe aqui, e meu bem como meus olhos brilham. Todos me olham e perguntam: “O que ela tem?” Eles não entendem esse amor, os sorrisos em meio aos silêncios, a felicidade que me faz saltitar, a vontade de ser vento pra te tocar, os meus olhos gulosos… Começou manso e se concretiza a cada dia. Tenho fé nesse laço de abraço, nesse “nós” criado e neste nó dado. Você trouxe a luz que eu precisava para conseguir ler a nossa história, que ligada por sorrisos constantes de alguma forma já existia. Só que entre nuvens, agente não enxergava. Mas o sol brilhou para nós e a partir daqui vamos caminhar juntos, me dê a sua mão e vamos flutuar. Entre suspiros eu amo, te chamo, e não me canso de cantar as nossas tolices. É culpa sua, toda essa loucura, culpa do seu jeito de me cativar e em agradecimento ao teu olhar, baby, te deixo as minhas palavras.
                                                                                  
 Thaís Bitencourt