Um meio de chegar até você. Um meio de transporte. Um automóvel. Um carro. Ainda me faltam não sei que condições para ter um carro, mas sei que me faltam. Que assim seja. Mas estas mesmas condições não me impedem de roubar uma chave ou pegá-la emprestada. Destino já tinha, loucura também, então o que me faltava? A chave. O carro. A chave do carro. Estar nesta aventura me encheu de liberdade. Em nenhum momento apertou o coração pois, era adrenalina demais no sangue. Segui até aquela rua larga porém, para meu ser repleto de lembranças, intimamente estreita. Estava parada em frente ao teu recanto, por horas te imaginei descansando naquele lugar superaconchegante que conhecia pelas marcas que deixaram. Horas que foram suficientes para gerar desconfiança, o que aquele carro estaria fazendo parado ali? Vi a tua curiosidade pela janela, e logo ela se fez você. Haveria eu ganhado a noite. Haveria eu ganhado a noite? não. Meus planos eram maiores, não estava ali (só) para de ver, era uma desculpa para fugir. Fugir de mim mesma, e de tudo que me cercava. Me afastar, retirar, desviar, cair no mundo. Azular. Porém, lhe deixar aqui seria burrice, apesar de que te levando comigo, estaria levando partes de mim. Ahh, já não importava. Te liguei no número decoradíssimo, atendeu depois de cinco chamadas, ouvi a tua voz fingida que geralmente usaste no telefone, congelei por alguns segundos, contudo, desentalei. Desce aqui, vem aqui, vamos dar uma volta? A tua resposta foi instantânea e melhor do que ouvir um sim, eu te vi entrando no carro. Não disse nada, apenas acelerei. Riu de mim e se surpreendeu pela pré subestimação. No fim, foi tudo instigação sua, cada estímulo dos meus neurônios e suas sinapses eram guiados ora por tuas palavras, ora por reação de instinto ao teu perfume. E no fim de uma estrada, parei, mas não o bastante para raciocinar, ou seja, me arrepender. Só o tempo necessário para me aproximar de você, só o tempo de enlouquecer de vez, te atacar, a vista ficar turva, eu abrir os olhos e estremer da cadeira onde me encontrava completamente desnorteada sonhando, ou desejando, eu diria, o ápice da minha loucura de amor.
Thaís Bitencourt, azulando.
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