Segundos repletos de flashes dos nossos olhares, minutos de devaneios demasiados profundos, horas de desespero impaciente, semanas de angústia e transição sem escolha, e sua ausência se concretiza em um mês. Volto aos ninhos de afagos que eram meus, eram teus e as recordações me tomam a cabeça, mesmo que eu não quisesse, mas eu quero. Toco teu abraço novamente, sinto teu olhar, vivo teu cheiro e os apenas vestígios que não posso eternizar. Sim, sempre soube que posso viver sem você, não, não escolhi estar aqui afirmando minha presença na tua ausência. Não queria nada sério, queria sorrisos e muito humor, não queria te privar e sim te livrar, gostaria de acrescentar a nossas vidas mais carinho, mais cuidados. Eu, pelo menos, tenho um coração que não sabe onde repousar e que tem como cura teu sorriso escapulido, eu tenho um coração de amor rítmico procurando um par. Mas esse “mês” passa, se vai meu bem, e pode deixar que seguirei teu conselho estúpido, com essa mania besta de dizer que acharei alguém melhor que você. Como pode? se eu amava teus defeitos e falhas, e queria junta-los aos meus, que são tantos, para construir o nosso barraco torto mas com a base de amor e confiança, sonhos e esperança. E se me dói olhar aquele banco, aquela praça, é porque um dia fomos, com esse maldito verbo no passado, felizes ali. Tudo bem, prometo esquecer muita coisa ou posso larga-las no meio do caminho que vou traçar não com pão, mas com pedras, para que eu saiba o caminho de volta. E vou me sentar no lugar de sempre, e te esperar. Quem sabe os meus sonhos cheios de vontade tenham gritado tão alto que você finalmente tenha ouvido.
Thaís Bitencourt
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